Análise integrada do fluxo migratório, concentração setorial e contribuição para a Segurança Social · Portugal, 2010–2025.
Projeto de estágio do programa Prepara Portugal que analisa dados administrativos de imigração, emprego e segurança social em Portugal entre 2010 e 2025 para responder com evidência quantitativa ao impacto económico da imigração no país.
As análises cruzam cinco fontes independentes (AIMA/SEF, Pordata, GEP/MTSSS, Eurostat e Segurança Social). As fontes têm universos e metodologias diferentes, então trata-se de uma análise correlacional, não causal. As limitações de cada série estão documentadas nos avisos de cada aba.
1 · Fluxo migratório e PIB: Evolução da população estrangeira residente vs. crescimento económico.
2 · Setores e VAB: Distribuição laboral dos imigrantes e peso dos setores na economia.
3 · Segurança Social: Saldo contributivo e perfil etário dos contribuintes estrangeiros.
1 · Contexto:
Entre 2015 e 2024, a população estrangeira residente em Portugal aumentou 246,7%, um ritmo muito superior ao do PIB nominal (+61,1%). As comunidades mais representativas provêm do Brasil, Índia, Angola, Ucrânia e Cabo Verde, concentradas sobretudo nas Atividades Administrativas, no Alojamento e Restauração e na Construção.
2 · Relação económica:
No mesmo período, o número de contribuintes estrangeiros na Segurança Social cresceu mais de cinco vezes (5,1×), superando o ritmo de crescimento da própria população residente, padrão consistente com uma crescente formalização do emprego. O saldo contributivo líquido acumulado ultrapassa 11 mil milhões de euros.
Marcos relevantes da imigração e políticas públicas em Portugal (2014–2025).
Definições dos termos técnicos utilizados ao longo do dashboard.
Qual foi a evolução do número de imigrantes residentes em Portugal entre 2010 e 2024, e como se relaciona com a evolução do PIB no mesmo período?
Número de residentes por nacionalidade no ano seleccionado · os três maiores grupos estão destacados.
Em que setores de atividade se concentram os trabalhadores imigrantes e qual o peso de cada um desses setores na economia nacional?
Clique no cabeçalho para ordenar. Top 3 em destaque tipográfico.
| # Rank | CAE | Setor | Trabalhadores Imig. ↕ | % do Setor ↕ | % no Ref. Total ↕ | Peso PIB (VAB) ↕ |
|---|
Quanto pagaram os imigrantes à Segurança Social em cada ano entre 2015 e 2025, e quanto receberam em prestações sociais no mesmo período?
Total anual pago à Segurança Social por trabalhadores estrangeiros versus total recebido em prestações.
Soma acumulada de contribuições menos prestações desde 2015.
Quantos euros são contribuídos para a Segurança Social por cada euro recebido em prestações pelos trabalhadores estrangeiros.
Contribuintes estrangeiros como percentagem do total de trabalhadores registados na Segurança Social.
€/ano por pessoa: contribuinte estrangeiro versus média nacional excluindo estrangeiros.
Contagens de contribuintes e beneficiários estrangeiros em 2025, por género e faixa etária; não existem valores monetários nesta desagregação.
2025 · contribuições menos prestações, em milhões de euros.
Ranking das 10 principais nacionalidades estrangeiras na Segurança Social no ano selecionado. Alterne entre contribuintes ativos e beneficiários de prestações.
Qual é, afinal, o impacto económico da imigração em Portugal?
A conclusão cruza AIMA (população estrangeira residente), GEP/MTSSS + Eurostat (emprego por setor e VAB) e Segurança Social (contribuições e prestações).
Entre 2015 e 2024, a população estrangeira residente cresceu +246,7%, enquanto o PIB nominal aumentou +61,1% — um descompasso de quase 4×. No mesmo período, a progressiva formalização do emprego fez com que os contribuintes estrangeiros na Segurança Social crescessem 5,1×, gerando um saldo líquido acumulado de €11,1 mil M.
Em paralelo, a distribuição laboral revela que a elevada concentração de trabalhadores em setores intensivos em mão-de-obra não acompanha a representatividade dessas atividades no VAB nacional. Já na Segurança Social, a forte predominância de população em idade ativa fundamenta a contribuição financeira francamente positiva.
Como ler: todas as séries começam em 100 em 2015. Um valor de 200 significa que a grandeza duplicou face a 2015; 500 significa que é cinco vezes superior ao nível de 2015.
As séries são indexadas para comparar velocidades de crescimento, não valores absolutos. Passe o cursor sobre o gráfico para ver o índice de cada ano.
Cada linha é um setor, ordenado pela percentagem de trabalhadores estrangeiros no emprego do setor. Quanto maior a distância entre os dois pontos, maior o desfasamento entre presença imigrante e peso económico.
A distribuição por idade mostra o perfil dos contribuintes e beneficiários estrangeiros. A maioria dos contribuintes encontra-se nas faixas etárias ativas.
Os trabalhadores estrangeiros concentram-se nos setores Atividades Administrativas (N), Alojamento e Restauração (I) e Construção (F), os de maior volume absoluto mas peso modesto no VAB nacional. A presença laboral estrangeira observa-se predominantemente em setores de elevada intensidade de trabalho, com menor representação em setores de alta produtividade por trabalhador.
Os trabalhadores estrangeiros contribuíram sistematicamente mais do que receberam da Segurança Social ao longo de todo o período analisado. O rácio contribuição/prestação cresceu ao longo de toda a série 2015–2025, com aceleração a partir de 2020.
Setores como Atividades Administrativas (N), Alojamento e Restauração (I) e Agricultura (A) apresentam uma elevada concentração de trabalhadores estrangeiros dentro da própria força de trabalho do setor, mas possuem um peso modesto no VAB nacional. Já setores como Indústria Transformadora (C), Comércio por grosso e a retalho (G) e Atividades Financeiras (K) registam o padrão inverso. O crescimento do emprego estrangeiro em setores de maior valor acrescentado corresponderia a uma ampliação do impacto económico observado.
Entre 2015 e 2024, os contribuintes estrangeiros na Segurança Social cresceram 5,1×, enquanto a população residente registada na AIMA cresceu 4,0×. O diferencial entre as duas séries é consistente com um aumento da cobertura formal do emprego estrangeiro, embora os dados disponíveis não permitam isolar este efeito da regularização progressiva de residência. As prestações recebidas cresceram a ritmo muito mais lento, padrão associado ao saldo positivo crescente.
Lisboa e Porto dominam em volume absoluto, mas distritos como Beja, Faro e Setúbal apresentam a maior dependência relativa das contribuições estrangeiras. As regiões agrícolas do Alentejo e turísticas do Algarve evidenciam os casos de maior dependência estrutural do trabalho estrangeiro.
Aba de conclusão elaborada a partir dos dados já tratados nas abas anteriores. Fontes: AIMA/SEF, Pordata, GEP/MTSSS, Eurostat e Segurança Social. Não são introduzidos dados adicionais.